{"id":67,"date":"2026-02-16T13:38:24","date_gmt":"2026-02-16T13:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/oenxamefuso.pt\/?p=67"},"modified":"2026-08-13T15:34:10","modified_gmt":"2026-08-13T14:34:10","slug":"perdida-no-bosque-writing-residency-research","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oenxamefuso.pt\/?p=67","title":{"rendered":"Perdida no Bosque"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>24.07.2026 e 25.09.2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pe\u00e7a sonora&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>P\u00fablico: M16 | Dura\u00e7\u00e3o aproximativa: 50 minutos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perdida no bosque \u00e9 um desejo. \u00c9 um gesto. \u00c9 um esbo\u00e7o de \u00f3pera que vai beber nas incont\u00e1veis vers\u00f5es do conto popular do Capuchinho Vermelho, reorganizando-as em camadas perme\u00e1veis de texto, m\u00fasica, espa\u00e7o e presen\u00e7a. Mas, para al\u00e9m da hist\u00f3ria do encontro entre uma menina e uma fera, Perdida no bosque explora a nossa rela\u00e7\u00e3o com este territ\u00f3rio onde nascem mitos e s\u00edmbolos, encantamentos e terrores: a floresta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa n\u00e3o segue um trilho linear, mas espraia-se de forma labir\u00edntica e po\u00e9tica por imagens que surgem como que clareiras por entre as \u00e1rvores: uma menina abandonada pelos pais que cresce sozinha em meio \u00e0 floresta; um ex\u00e9rcito de \u00e1rvores a avan\u00e7ar pela plan\u00edcie com armas em riste; um lobo que desde o nascimento conheceu apenas a fome; tr\u00eas irm\u00e3os que jogam cartas \u00e0 espera daquela que ser\u00e1 a sua pr\u00f3xima v\u00edtima. N\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de casualidade entre estes momentos \u2013 s\u00e3o como sonhos que se transformam em outros sonhos. E, ao acordar, descobrimos que continuamos afinal a sonhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que tudo, Perdida no Bosque busca reproduzir a sensa\u00e7\u00e3o de estarmos em meio a uma floresta desconhecida, sem refer\u00eancias que nos guiem, a vaguear por seus cheiros, texturas, cores &#8211; sensa\u00e7\u00f5es. E n\u00e3o queremos encontrar uma sa\u00edda destas sensa\u00e7\u00f5es. A floresta como um lugar que procuramos para nos perder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conceito e composi\u00e7\u00e3o: <strong>Cl\u00e9lia Colonna<\/strong> | Libreto:<strong> Alex Cassal <\/strong>|<strong> <\/strong>Apoio \u00e0 dramaturgia: <strong>Costanza Givone <\/strong>| Interpreta\u00e7\u00e3o: <strong>Catarina Miranda, Catarina S\u00e1 Ribeiro, Cl\u00e9lia Colonna, Costanza Givone, Isidro Vald\u00e9s <\/strong>e<strong> Mariana Gil <\/strong>| Luz: <strong>Rui<\/strong> <strong>Azevedo<\/strong> | Som: <strong>Jos\u00e9<\/strong> <strong>Arantes<\/strong> | Produ\u00e7\u00e3o executiva: <strong>Margarida<\/strong> <strong>Fragueiro<\/strong> | Produ\u00e7\u00e3o: <strong>O Enxame e o Fuso<\/strong>,<strong> Fogo Lento<\/strong> | Resid\u00eancias: <strong>CRL-Central El\u00e9trica<\/strong> | Apoiado por a <strong>Funda\u00e7\u00e3o GDA<\/strong> | Co-produ\u00e7\u00e3o: Coprodu\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do programa de resid\u00eancias art\u00edsticas 2025-2026 do <strong>CAMPUS Paulo Cunha e Silva<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERDIDA NO BOSQUE (excerto)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma manh\u00e3 o pai chamou e disse: Pega. Pega neste cesto e vai. Pega nessa bolsa e vai. Pega nesses restos e vai. Sai. Passa por essa porta. Pega neste cesto e deixa este lugar quente e seguro seguro seguro seguro. Segue o caminho. Percorre a orla *verdejante do bosque, mas sem entrar no bosque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuidado. Poderias abandonar-te. Perder-te no que te atrai. Correrias o risco de deixar-te levar pelas texturas, as camadas, as possibilidades do verde verde verde verde. Sim, correrias o risco de perder-te nos jogos de sombra que enganam, nas superf\u00edcies que parecem ser algo que n\u00e3o s\u00e3o, nas trilhas curvas, nas reentr\u00e2ncias desorientadoras, nos recantos arborescentes amea\u00e7adores e atraentes que te chamam a sair do caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o encontrarias um ser atraente, com algo oculto no olhar, a promessa de um lugar escondido, um segredo ainda por partilhar, um espa\u00e7o vazio que anseias por preencher. Um ser antigo e novo e quente e verde. Um veado cujos olhos amarelos brilham na noite. Uma velha mulher. Uma fam\u00edlia de ratos. Um lobo. Um lince. Uma serpente. Um javali. Um monstro. Um homem. Um c\u00edrculo de criaturas sombrias a ver-te como aquilo que \u00e9s:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma crian\u00e7a. Uma m\u00e3e. Uma presa. Uma puta. Uma rainha de Maio. Um peda\u00e7o de carne. Uma cidade a saquear. Uma virgem a deflorar. Uma deusa para adorar. Deita. Deita na erva, no ch\u00e3o coberto de rebentos e fetos h\u00famidos. Este cheiro a coisas novas e frescas. Deita. Dorme. Sonha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vais sonhar com o homem de barba cerrada a quem prometeste uma dan\u00e7a. Ele viajou para muito longe daqui, para al\u00e9m do bosque, para al\u00e9m do vale, para al\u00e9m da \u00e1gua. At\u00e9 o alto dum rochedo onde nasce a flor \u00fanica e branca. Ele vai trazer-te esta flor, a carreg\u00e1-la desde muito longe. Ele vai chegar a meio da noite, entrar no teu quarto enquanto dormes, ele vai ver-te abra\u00e7ada ao rapaz desnudo que trouxeste para a tua cama e teu corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele vai cortar a tua cabe\u00e7a e a do rapaz que trouxeste para a tua cama e teu corpo. E ent\u00e3o ele vai deitar ao teu lado. Vai. Sai. Corre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perde-te no bosque. Esta \u00e9 a tua vez. Esta \u00e9 a primeira vez. Esta \u00e9 a \u00faltima vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vai!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>24.07.2026 e 25.09.2026 Pe\u00e7a sonora&nbsp; P\u00fablico: M16 | Dura\u00e7\u00e3o aproximativa: 50 minutos Perdida no bosque \u00e9 um desejo. \u00c9 um gesto. \u00c9 um esbo\u00e7o de \u00f3pera que vai beber nas incont\u00e1veis vers\u00f5es do conto popular do Capuchinho Vermelho, reorganizando-as em camadas perme\u00e1veis de texto, m\u00fasica, espa\u00e7o e presen\u00e7a. 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